terça-feira, 25 de novembro de 2014

Basta!

Quem me conhece sabe que uma das minhas características mais marcadas é o chamado "não levar recados para casa". É assim desde que me conheço mas, há medida que me fui conhecendo um pouquinho melhor, registei que quando não digo o que penso, quando por algum motivo tenho de me calar e não dou a minha opinião sobre determinado assunto, fico doente. E quando digo doente é mesmo doente. Com repercussão a nível físico. Chamem-me maluca mas a não expressão dos meus sentimentos ou pensamentos rapidamente se transforma num vulcão com muito vontade de explodir. No entanto, e se isto parece uma atitude muito exagerada, devo dizer que, a partir do momento em que deito tudo "cá para fora", dêem-me dez minutos que já está tudo bem e já pus tudo atrás das costas! No fundo sou uma fácil. Só tenho é muita energia acumulada. (ironia).
Estou farta de discutir por merdas sem dizer depois tudo o que me apetece. E não digo porque sei que se o fizer vou piorar a situação 500% porque do outro lado só existe ataque e pouco poder de encaixe. Gostaria de saber se há mais gente que, quando está a discutir com o seu par, ao ver tanta diarreia cerebral e não conseguindo fazer o outro ver a merda que está a dizer, não desejou já que estivesse ali uma terceira pessoa que ouvisse os argumentos de um e de outro e melhor pudesse explicar a situação, o que está a ser efetivamente dito e discutido. Porque P diz uma coisa e depois alega que não era isso que queria dizer. Mas eu processo as palavras tal e qual consoante o seu significado. E depois não vê nem entende isso. Como se costuma dizer, "somos responsáveis por aquilo que dizemos, não por aquilo que os outros pensam". E isto serve para os dois lados. Eu não sou dona da razaõ. Fico muitas vezes a pensar que se tivesse dito isto e aquilo de outra maneira, talvez tivesse sido melhor. Reconheço que tenho muito que aprender neste campo. E peço desculpa também. Mas há um limite para tudo. E na maior parte das vezes sinto que é o limite da estupidez que está a ser testado. E eu não tenho saco para isso. Eu falo português. E português do norte! Com toda a sinceridade bruta que este tem.
Tenho feito um esforço grande para relevar, para fechar os olhos a muitas coisas que não entendo e não gosto. Chamam a isto tolerância. Mas há um limite. Há um limite que, transposto, já não se trata de tolerância mas de deixarmos de ser aquilo que somos. Apenas para não nos chatearmos. E eu não sou isso. Onde é que acaba a tolerância e começa o atropelo do "eu"?

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

António Lobo Antunes

Gostava muito de te conhecer pessoalmente. Talvez não gostasses de mim porque eu falo muito e gosto de fazer perguntas. Mas eu gosto da amargura e do cinzento das tuas palavras, ao mesmo tempo tão simples, cruas e humanas. Gosto, pronto.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Não deixes que o medo

Há tempos li um texto ou carta do Papa Francisco sobre o casamento, muito simples mas muito objectiva. Convém dizer que não sou religiosa nem acredito no casamento enquanto "contrato". A meu ver, quando se partilha um tecto com alguém e tudo o que de bom e mau a vida traz, creio que isso já é casamento.
Bom, pela nova fase que se faz adivinhar, lembrei-me das palavras do Papa que, a meu ver, servem todas as formas de relacionamento a dois.
"Viver junto é uma arte, um caminho paciente, bonito e fascinante. Ele não termina quando vocês conquistam um ao outro… Na verdade, é precisamente aí que se inicia! Esse caminho de cada dia tem regras que podem ser resumidas em três palavras, que eu já disse para as famílias, e que vocês já podem aprender a usar entre vós: Posso?, obrigado e desculpa." 
Conquistar e ser conquistado é uma fase muito emocionante de qualquer relação. É a fase da surpresa, da sedução, da descoberta.  O desafio não começa aqui, de facto. O desafio começa quando a paixão começa a dar lugar ao amor. E quando, passando mais tempo junto e mais coisas partilhando, se está debaixo do mesmo tecto. E vem o medo. De perder. De magoar ou ser magoado. E é desafio também não deixar que esse medo seja estrangulador. É preciso deixar que outras coisas sejam maiores que o medo. E acreditar que se vai conseguir fazer um caminho.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

As palavras que nunca te direi

Não porque não queira. Não porque não tente. Mas porque quando te olho tenho a certeza que todas as palavras do mundo não serão nunca suficientes para te dizer tudo o que sinto por ti. (Dá-me tanto medo ao mesmo tempo, todo este sentimento..!).
Estes têm sido dias felizes. Dias de casacos de lã, torradas, mantas, beijos de café e risadas, muitas risadas. Tudo enquanto planeamos o nosso castelo. Ainda tenho medo. Mas já só quero viver isto contigo. Se soubesses como tudo isso me faz feliz, meu amor..! Não serão sempre rosas, sei. Mas tudo o quanto imagino para nós agora, dá-me uma sensação de conforto enorme! Vou tomar conta de ti quando estiveres doente. Trazer-te uma surpresa de vez em quando num dia normal. Zangar-me contigo quando comeres uma fatia inteira de queijo sem pão! E vou lutar por nós, prometo. Porque havemos de ter as nossas desavenças. A vida vai pregar-nos as suas partidas. Mas enquanto tivermos esta capacidade de rir, enquanto dermos estas gargalhadas sem nexo nenhum, há-de valer a pena.
E se soubesses como tudo isso me faz feliz, meu amor..!

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Buika

Levo este tempo já ainda a digerir o concerto de Buika, ontem à noite, na Casa da Música. Esta mulher está muito além de um qualquer artista, de uma apenas cantora. A alma dela, a força que transmite em palco, a liberdade que transmite, revolve-me as entranhas. Esta foto é bastante significativa do que tento aqui exprimir mas fica ainda muito aquém da entrega desta mulher em palco.
Dona de um dramatismo brutal e de uma voz avassaladora, prende, arrepia, arranca sorrisos e lágrimas.
E abandono a sala ainda em êxtase, com o espírito em autêntica catárse e com a certeza de que palavras não são suficientes para descrever aqueles últimos 90 minutos.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Coração sem umbigo

Estes últimos dias, julgo que motivado pela ausêndia de P. e pelo que isso, mesmo à revelia, tem despertado em mim, vou percebendo que construí uma armadura à minha volta. Não creio que deixe de vivenciar nada por isso, não. Mas a certa altura imponho limites. Imponho limites a deixar-me sentir. A mostrar-me vulnerável perante algo ou alguém. Há assuntos que evito. Mas faço-o inconscientemente! Percebo que isto acontece quando sou questionada sobre. E não reajo bem e crio conflitos.
P. também me disse há dias que parecia que nada me afectava. Oh! tomara eu não sentir tanto todas as coisas. As minhas e as do mundo. Mas essa armadura fez-se, foi-se construindo. Não foi algo que eu tenha escolhido mas foi algo que eu não consegui evitar. Claro que há coisas que me afectam mas não "qualquer" coisa, pequenas chatices que para outra pessoa podem ser motivo de muito transtorno. Não para mim. Porquê? Porque a vida é pesada e tem problemas realmente sérios. E basicamente foi isso que aprendi. A relativizar. Porque já vivi ou estive perto de problemas sérios, irreversíveis. Coisas que marcam e que deixam ferida. Que nos fazem, por um lado, ver o lado bom da vida e aproveitar tudo o que ela nos dá ao máximo, mas por outro que nos tornam mais duros. Não quero com isto passar a imagem de "mártir sofredor", longe disso. Agradeço tudo o que tem feito parte do meu percurso de vida. Foi isso que me fez perceber que andamos aqui muito pouco tempo para nos ocuparmos e desgastar-mos com certos ódios. Foi isso que me fez ter presente realidades diferentes da minha, as quais o mundo geralmente ignora. No fundo, se por fora se criou e endureceu uma carapaça, por dentro cresceu um coração muito sensível, muito acordado. Um coração sem umbigo.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Poder de encaixe

Aborrece-me quando as pessoas não sabem ser postas em causa. Até porque isso é algo que se aprende com a experiência de vida. Mesmo não querendo! Por uns e por outros, no trabalho, em casa, na escola, somos constantemente postos em causa. Podemos ter a oportunidade de fugir algumas vezes mas não será para sempre. Porque faz parte da aprendizagem de cada um de nós e portanto não adianta fugir! A menos que vivamos sozinhos numa caverna.
Esta aprendizagem permite-nos adquir aquilo que chamamos de "poder de encaixe". O poder de encaixe permite-nos "encaixar" novas situações, permite que nos adaptemos a situações novas sem melindres. Principalmente isso: sem melindres. E julgo ser do domínio do senso comum: ambos os ensinamentos adquirem-se a levar na cabeça! E só leva na cabeça quem se expõe. E só está exposto quem faz alguma coisa, quem arrisca, quem age. Sem fugir. Sem arranjar subterfúgios.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Este fim-de-semana fui até à capital rever amigos. É notório que o nível de vida na capital é superior ao nível de vida no Porto. Se, por um lado, a perspectiva de mais e maiores oportunidades é aliciante, o consumismo que se respira, é, para mim, confuso, alarmante e até triste. Não quer dizer que aqui não se manifeste. Não se trata da região, claro, mas do poder de compra que existe nuns e noutros sítios. Bom, ísto para chegar ao assunto de realmente quero apresentar ."Portugal está a sair da crise", ouvi este fim-de-semana. Não que aqui e noutros pontos do país onde já não existe classe média não se pense de igual modo, atenção! O que constato é que a cegueira é generalizada. Não sei que notícias estas pessoas vêem ou lêem, ou que bruxo consultam... Ok, certo é que a comunicação social faz o trabalhinho de casa. E agora, já tendo como pano de fundo as próximas eleições, começam a aparecer promessas, perspectivas e ilusões de melhorias. E de quem é a culpa de constantemente vivermos de ilusões e de promessas que ajudam a encher os bolsos de meia dúzia e fazem com que a grande maioria perca apenas? Dessa mesma maioria.
Portugal não está a sair da crise minha gente! Portugal não está melhor como disse há tempos essa criatura com o cargo de primeiro-ministro! Quantos de vós não vêem os vossos salários aumentados há anos?? Os preços no entanto e os impostos não se compadecem! Há dois Portugais? Estaremos, uns e outros a viver no mesmo espaço geográfico mas em planos de tempo paralelos e com realidades distintas?

"Portugal com mais pobres do que em 1974" noticia a SIC Notícias a 17 de Outubro. "Crianças mais expostas à pobreza desde 2010 em Portugal"noticia o Público um dia antes. Apenas dois exemplos, claro. Mas basta procurar! Mais: basta querer de facto saber! Tratam-se de dados fornecidos pelo INE, Pordata, etc.. Que cegueira é esta que faz este povo acreditar que este país está a tomar um rumo favorável? A diferença entre a realidade de uns e a realidade de outros é que uns vêem números e outros vêem pessoas. Não me lixem com dados falsos de desemprego! Não me ponham a olhar para as exportações! Não estou a dizer com isto que estes factores não são importantes. Mas o que eu quero saber é que todas as crianças vão para a escola com pequeno-almoço tomado. Que todos os velhos tenham acesso a condições de saúde condignas e não sejam esquecidos. Que, através da dignidade do trabalho toda a gente possa ter uma casa com condições. Isto para mim é que é real. Não são números saídos da boca de meia dúzia que têm quem lhes aqueça as costas.

Não se pode, claro, pedir ou esperar a/que quem sempre teve tudo com pouco esforço que tenha essa visão mais real das coisas. Pessimista chamam-me elas! Não sou pessimista! Muito pelo contrário. Mas faço muito bem as minhas contas. E tudo o que consegui até hoje foi, primeiramente, fruto do trabalho dos meus pais, da vida regrada que levam desde sempre e, posteriormente, fruto do meu esforço, do meu trabalho e da vida regrada que levo desde que me tornei independente. Para mim e para nós não está melhor! E todos trabalhamos! E essa vida regrada mais regrada se vai tornando para que, com dignidade, se faça frente às dificuldades do dia-a-dia. Se calhar a nossa vida só não está melhor porque vemos notícias e pensamos com a nossa cabeça.