terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Sensível


Estou há horas a olhar para esta folha em branco. No fundo, tenho estado muito tempo, sim, a olhar para todas as coisas que têm acontecido sem conseguir tirar conclusões. É o meu coração que anda sensível. E esta altura do ano já me deixa naturalmente mais sensível. Não, não é espírito de Natal! É sim uma altura do ano em que as diferenças se acentuam. Em que se consome e se gasta estupidamente em futilidades e anda tudo em estado catatónico enquanto outros morrem ao frio, na rua, como ainda ontem aconteceu aqui no Porto. Vejo as pessoas numa espécie de transe a olhar para as montras sem reparar no mendigo ao lado com um cartaz a dizer que não tem onde passar a noite gelada que se aproxima. Não é por estarmos em época natalícia que isto me doi, porque doer, doi sempre. Sou a primeira a repudiar a hipocrisia natalícia.Mas, nesta altura, quem pouco ou nada tem, também sente mais a diferença. E sente frio também. E o meu coração anda sensível. Anda também porque, ao invés de estar entusiasmada com a nova fase da vida que vai iniciar no novo ano, está, sim, triste. E com dúvidas. Dúvidas que eu não queria ter mas que actos e palavras as criaram. E o meu coração anda sensível.

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