sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

A teoria de tudo

Ver um bom filme é algo que me dá realmente muito prazer. E ficar, no fim, com a sensação de que a história me acrescentou algo e que aquele tempo de inércia valeu realmente a pena, é extremamente compensador. Há uma palavra em inglês cuja tradução não é exacta no signifcado que eu acho que traduz o sentimento de que falo: fulfillment.

"The theory of everything" (A teoria de tudo) conta a extraordinária história de uma das mentes mais brilhantes dos nossos tempos, o reconhecido astrofísico Stephen Hawking, e de duas pessoas que, por amor, desafiam todas as probabilidades. É um filme muito difícil de avaliar essencialmente porque é difícil separar o filme, a ficção propriamente dita, da vida que é real e que aos dias de hoje ainda existe. É uma história de amor e também uma história sobre desenvolvimento pessoal individual, de força e perseverança. As interpretações são brilhantes. E, no fim, terminar com a "Arrival of the birds" dos Cinematic Orchestra deixou-me nos píncaros.

"There should be no boundaries to human endeavor. However bad life may seem, while there is life, there is hope."



terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Janeiro

Janeiro tem sido duro. A mudança não foi sinónimo de uma alegria desenfreada, mais de muito trabalho, stress, cansaço, algumas chatices. Entretanto veio a gripe e com ela a exaustão completa. Estou de rastos. Desde que viemos do Douro que simplesmente não descanso, não me divirto. Não tenho inspiração absolutamente nenhuma para escrever. Não tenho vontade nem energia para fazer as minhas tarefas habituais. Não faço desporto há dois meses. Até pouco sexo tenho feito! Já esperava que os primeiros tempos tivessem alguns percalços. Agora entrámos numa nova fase de conhecimento mútuo e descoberta. Estamos em adaptação. Mas também esperava um pouco mais de empenho em algumas coisas. Mais sensibilidade e consideração pelo meu esforço. Reconhecimento. Sim, porque mesmo na exaustão sou a perfeccionista do costume eestou sempre a fazer alguma coisa que falte fazer. Embora o espaço já fosse o habitual de um, agora sim temos ambos uma casa agradável, funcional. Mais moderna. Limpa! Não é agradável isso? Eu adoro chegar a casa ao fim do dia e encontrar o meu espaço de conforto aprazível! Relaxa-me, conforta-me. Mas nem sempre consigo. Não vou "desbobinar" aqui os pormenores parvos e as frustrações das lides domésticas. Mas há coisas que me aborrecem pois entendo que usando alguma coisa e arrumando ou limpando em seguida, as coisas nunca chegam a um ponto mais crítico e assim no fim não sobra para um único "cristo". Tenho gosto nesta nova casa. Está bonita. Tem luz. É nossa! É só isso! É verdade que estou um pouco frustrada. É verdade que acredito que seja apenas uma fase. Eu sei que P. se esforça em algumas coisas mas não entende outras. Falta experiência. Falta alguma maturidade. Fica muita coisa "a  meio". Demora-se demasiado tempo para efectivamente começar algo de que há muito se fala. Não há prioridades definidas. E tudo isto desgasta mais do que simplesmente ter muito para fazer. 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Virada para dentro

Ouço-a em loop porque é o meu estado de alma. Não sei se é da chuva, se do frio, mas estou virada para dentro, de lágrima demasiado fácil, com toda a sensibilidade à flor da pele.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

De ouro

É de perceber porque o Douro, suas vinhas e socalcos, a sua paz, têm inspirado tantas histórias, tantos romances, tantas paixões, ao longo dos tempos. A paisagem absorve. Em qualquer margem do rio, o som tranquilo da água remete-nos para um estado de alma pacífico e longínquo. Cheira a lenha a arder nos diversos fogões. No pico da tarde o sol aquece as gentes e as cores das árvores. O por-do-sol, muito embora pinte o céu de cores quentes, vem já avisando a noite fria. Este Douro é nosso e enche o peito de qualquer nortenho de orgulho.