sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

"Musica est scientia divina"


[Mais-que-tudo deve achar que sou meio maluca.] O dia de ontem já não tinha sido grande espingarda. No fim, na hora de ir para casa finalmente recolher, tive direito a mais de 1h de trânsito e a uma procura um pouco selvática de um lugar para estacionar. Quando entrei em casa, só queria estar na minha bolha. Estar em silêncio. Mais-que-tudo tocava guitarra portuguesa. A mesma música de há vários meses. Preparei uma bucha e abri uma garrafa de vinho tinto, sob o olhar de espanto de Mais-que-tudo. "Vou tomar um duche quente e desperdiçar bué àgua" (private joke) - disse eu entretanto.
Apetrechei-me do meu copo de vinho e do tablet e lá fui. Pus a minha playlist de música clássica. E ali, no silência da água quente e da música, pude finalmente desligar. [Quanta falta sinto da incomunicação e da introversão à chegada a casa, ao fim do dia]. Quando terminei o meu banho, Mais-que-tudo ofereceu-se para fazer o jantar, o que aceitei de bom grado. Fui para a sala, já em pijama. Liguei o tablet à aparelhagem e estiquei-me no sofá. Subi o volume. E chorei. Chorei, arrebatada com a força e a doçura de Nessun Dorma na voz do intemporal Pavarotti. Chorei com a história dos Capuleto e dos Montecchio pela Anna Netrebko. Chorei por aquele momento de libertação. Chorei porque sim. Porque a música é tão grande e tão forte e me deu o que eu precisava naquele momento.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Reservei este espaço para guardar este apontamento


Porque é que nas receitas culinárias, quando se prepara algo que não vai ser usado imediatamente, se aplica a expressão "reserve"? Por exemplo, se eu agora fizer uma calda qualquer que só vou usar mais à frente "deixo ficar" ou "guardo". Não reservo! As coisas que reservo são lugares, mesas, bilhetes, sei lá...

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Livre, louca e feliz


Os nossos gostos, prioridades, interesses, etc., alteram-se no tempo. E ainda bem! É sinal de evolução, de assimilação das várias experiências que vamos vivendo. Quanto melhores as experiências, mais diverso o conhecimento, mais rica a nossa vivência. É assim que nos conhecemos a nós mesmos. Há coisas que têm um tempo só para si. Têm de acontecer numa determinada altura e não noutra qualquer. É naquela altura que nos vai acrescentar algo! Às vezes, repetimos experiências à procura do gosto que nos deixou na boca antes ou da primeira vez e não, já não é igual. Não quer dizer que seja menos bom, so que é diferente. E isso às vezes dá saudade. Aperta cá dentro. Ficamos com medo de esquecer porque foi tão bom. Queremos agarrarmo-nos àquela sensação, dar-lhe um nome. Mas ela vai-se tornando mais fugaz, mais longínqua. Não, não! Não estou a viver o passado! Quero fazer tantas coisas agora! E gostava muito de saber de algumas que poderão vir a acontecer no futuro. Mas quando percebo que já me senti tantas vezes tão livre, louca e feliz, tenho medo de nunca mais conseguir igualar tudo isso. E sim, eu sei que está dentro de mim. É isso que às vezes me mata.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

No trabalho


Passo-me com aquele tipo de entusiasta do trabalho, totó. Daqueles que aparentemente não têm vida além do trabalho, não bebem alcool, não saem com os amigos ou nunca jabardam em nada. Aqueles que discutem altamente entusiasmados uma fórmula de Excel. Aqueles que empregam repetidamente estrangeirismos da treta como "meeting", "report" ou "conference call", como se o português tão rico e tão vasto não tivesse os seus correspondentes. Ficam empolgadíssimos com "pivot tables"! Se forem baixinhos ainda me irritam mais! Na hora de almoço continuam a falar de trabalho. Comentam com soberba a reunião com o chefe, ou melhor, com o "CEO". Quando é que o trabalho virou uma paneleirice pegada?

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Ondas gigantes


Houve tempos em que sonhava várias vezes, dias seguidos até, que corria desalmadamente para apanhar um comboio e que acabava sempre por o perder. Via-o a partir lentamente e eu ficava ali, na plataforma, sem nada poder fazer.

Agora, mais recentemente, sonho várias vezes com ondas gigantes, tipo tsunami. Os cenários são diversos: ou uma praia onde estava tranquila a apanhar sol, ou simplesmente vejo as ondas ao longe e percebo que são gigantes. Nunca sou apanhada por elas. Mas sinto medo e aflição. Esta noite repetiu-se. Pesquisei pela simbologia deste sonho. "Caso as ondas sejam grandes, serão problemas que podem ser resolvidos diante da astúcia e coragem. As ondas gigantes estão associadas a catástrofes, momentos que serão superados com muita dificuldade (...). Se o mar estiver agitado e com muitas ondas, isso pode significar que sua mente anda conturbada e você necessita de um tempo para relaxar e esquecer os eventuais problemas.

Marquei terapia de Reiki para amanhã. Preciso como de pão para a boca. Há muito que me desmazelei com o auto-tratamento e com a meditação. Basicamente, desmazelei-me comigo.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Pouco feliz


Parte I
Não entendo mas alguma coisa se passa! Não encontro já explicações racionais para a merda toda que me tem acontecido. No final de 2014 as perspectivas eram as melhores. Quase dois meses volvidos posso dizer que tenho tido poucas oportunidades para me sentir feliz. Por todos os motivos! Esta noite pouco dormi. Estive a fazer um balanço do mal que faço a mim própria lá por causa da mania da perfeição. A "perfeição" é tão subjectiva como os conceitos de belo, normal ou certo. E não! Nem sequer o senso comum nos safa.

Parte II
Guardei como rascunho e dei um salto ao centro de saúde para fazer um RX pulmonar de rotina e levar uma injecção de Voltaren com Relmus. Foi uma tarde bem passada. Ainda bem que meti férias.

Parte III
Não sei o que mais me irá acontecer mas está difícil estar optimista. Tudo o que sei fazer é esgadanhar-me para que tudo corra sempre bem, seja perfeito e por isso não entendo o porquê deste rosário, deste desfilar de infortúnios, desta lista de desilusões. Até nas coisas mais simples, naquelas que estão "à mão de semear". Não estou a falar de megaloma-cenas, porra! Mas nada está a correr como idealizei. Sinto-me incompleta. Acho que me tenho desdobrado para agradar a toda a gente e no meio disto esqueci-me de mim. É a porcaria da perfeição! Estou a fazer o que é considerado "bem" e não estou a considerar-me! Estou frustrada. Se calhar é isso que está a transtornar a minha energia e está a provocar todas as outras coisas menos boas! Mas pergunto-me: até que ponto estou a ser pouco compreensiva ou condescente se fizer o que realmente tenho vontade? Em que ponto é que isso se torna egoísmo? Até que ponto devo acreditar que as coisas vão mudar e por isso devo ser paciente e esforçar-me nesse sentido? 
Esta não é a minha energia! Isto não sou eu! Eu sou o furacão que todos os dias se levanta pronto para agarrar a vida com toda a garra e perseverança, com um sorriso sempre pronto! Isto não sou eu! Onde é que eu me perdi?

Parte IV
Ouvir a minha mãe do outro lado da linha dizer "tem sido um início atribulado".

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Sabes que estás a ficar velha


quando anseias desesperadamente pelo fim-de-semana....para poder ficar em casa! Já lá vai o tempo em que a febre de sair sexta e sábado à noite era tanta que se saía cansado, com sono, com o maior temporal, quando inclusivamente sabia que tinha de acordar cedo no dia seguinte, etc.. Nem pensar! Agora tudo o que mais prezo é o pouco tempo que consigo não estar a responder a responsabilidades, sejam elas de que âmbito forem, sossegada, em casa, com o meu robe de polar cor de maçã, com bolas coloridas, altamente sexy, sem banho tomado, o cabelo amarrado num carrapito desordenado, quente e confortável. Fazer um jantar caprichado para nós dois, abrir um vinho bom, beber a garrafa toda para logo em seguida dormitar no sofá. E sem culpas. Nah, não estou a perder nada! Diga-se que gastei bem os créditos da loucura nocturna ( que chegava a ser diurna),até ao início dos trintas! Estiquei bem a corda. Tenho histórias para contar. Fiz borradas à maneira. Cometi exageros. Experimentei muita coisa. E ri muito! Muito mesmo! E tive manhãs muito difíceis também. Manhãs que progressivamente se tornaram em dias inteiros. E é quando o preço de umas horas se torna demasiado alto para pagar que se começa a abrandar o ritmo. E quando se dá conta, a ideia de vestir o robe cor de maçã torna-se num desejo pelo qual se anseia impacientemente a partir de qualquer quarta ou quinta-feira.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Undenied


Quem ama música sabe que há bandas e músicas que são para a vida. São aquelas que marcaram momentos da vida e que, mesmo não as ouvindo durante muito ou algum tempo, quando volta a acontecer, conseguem trazer-nos de volta memórias de outrora. E sente-se de novo aquela força, aquele arrepio. É-se transportado para um local, um tempo. Revisita-se alguém, algum sentimento. A música tem um poder inexplicável sobre a memória. Hoje, lembrei-me dos Portishead (que, por incrível que pareça, ainda não vi ao vivo...apenas a Beth Gibbons a solo). É uma nostalgia feliz apesar do tom meio que "numb".

"E os que foram vistos a dançar, foram julgados insanos pelos que não conseguiam ouvir a música." (F. Nietzsche)







Deixa lá


Eu até posso "deixar lá" algumas vezes. Também não faço tudo bem! Mas não posso "deixar lá" sempre ou vezes a mais. 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Que nem uma castanha

Duas semanas consecutivas sem conseguir dormir uma noite inteira dão direito a que se fique a estalar tipo castanha. Apetece dar no trombil a qualquer um que nos dirija a palavra, sem qualquer motivo. Agora imagine-se quando até temos motivo para dar no trombil a alguém. A mim só me apetece abrir a goela até trás e disparar todo o tipo de desaforo. Não quero saber. Desatino e pronto. E quem quiser que se agarre as calças. Junte-se o facto de que estas noites interrompidas derivaram da porra da gripe que se fez acompanhar de uma tosse fodida. E tudo isto sem nunca deixar de trabalhar e realizar as responsabilidades mínimas. No fim disto, vem o Mais-Que-Tudo para a cama da enferma, já de madrugada (e acordando a enferma, portanto), e ainda acha por bem usar o telemóvel ou o tablet para jogar Candy Crush como se qualquer um destes dispositivos não emitisse qualquer tipo de som ou luz. Mas acha-se tudo normal e, pior, que se trata de implicância da minha parte. Cereja no topo do bolo: o Mais-Que-Tudo anda cansadíssimo e stressadíssimo por causa de trabalho. Ui, dava pano para mangas este assunto. Não me fodam, tá?