segunda-feira, 16 de março de 2015

Verão 2005


Estávamos em 2005. Eu tinha vinte e dois anos. Estudava, vivia e trabalhava em Aveiro. Morava com N com quem namorava há dois anos. Um dia portei-me mal e fui desculpada. Era uma miuda inconsequente. Agora sei que há coisas que por mais que tentemos passar por cima delas, dificilmente elas nos saem da cabeça... e do coração. Após um fim-de-semana em casa com a família, voltei a Aveiro para me encontrar com N. Íamos de férias. Mas N quis conversar. Esteve sozinho aqueles dias e de certeza que passou mal. E eu não entendi. Também não quis mais ir de férias porque soube ali que, embora lhe chamássemos "tentativa", eu não ia saber lidar com a minha culpa e responsabilidade. Nem queria tão-pouco. Então meti-me no último comboio de volta ao Porto, lavada em lágrimas. E assim fiz todo o percurso. Pedi a Van e J que na altura estavam juntos para me irem buscar. Passei a noite em casa da Van para não ligar aos meus pais naquele momento, àquela hora. No dia a seguir contei. Chorei a noite toda. Uns tempos depois, já não sei se dias, semanas, vou passar uns dias a Lagos com Van e J e mais uma porrada de gente. Era "para esquecer". Foram uns dias muito loucos, claro, como eram todos naquela altura. E a minha música desse Verão, quando o coração acalmou, foi esta, que ouvi ontem e me fez voltar estes anos atrás. [mais uma vez a ideia da musica e da memória!]

"Foste a razão da viagem de umas férias para fugir
Foste a razão da viagem de umas férias para fugir
Encontrei-te na paragem, no descer e no subir
(...)
Foste a frescura da minha sede
Andei contigo na minha mão
Foste a frescura da minha sede
Andei contigo na minha mão
Pintei a boca de rosa e verde
Foste o gelado do meu verão
(...)
Foste a sombra do momento, tentação a experimentar
Foste a sombra do momento, tentação a experimentar
Foste a luz do salvamento do regresso ao meu olhar
Tu foste em todas as formas um país que eu nunca vi
Tu foste em todas as formas um país que eu nunca vi
Velho sonho dos meus olhos e eu só te vi a ti"

Dez anos passaram.N foi um capítulo muito marcante no livro da minha vida e possivelmente nunca o saberá. Também eu só o descobri muito mais tarde. Quando já foi tarde demais. Por um lado, rio. Era uma altura em que tudo se vivia com muita intensidade. Era tudo novidade, descoberta! Fazia-se muita loucura sem pensar nas consequências. Por outro lado, não sei, mas há qualquer coisa que lamento, embora não seja culpa. Há coisas que são assim, fazem parte do crescimento, acontecem para nos fazerem ver qualquer coisa. Cruzamo-nos um dia. Crescemos muito um com o outro. Um dia, seguimos caminhos diferentes. Guardo tudo com muito carinho. Foi há dez anos. Eu tinha vinte e dois.



1 comentário:

  1. Adorei o teu blog! vê o meu e se gostares segue <3 http://1100days.blogspot.com/

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