quarta-feira, 22 de abril de 2015

Irmãos


Este tasco tem estado abandonado. Ao fim de duas semanas, tenho um dia mais tranquilo. Agora, alguns dias de férias quase à porta. E enquanto a vida do dia-a-dia me engolia e eu achava que estava stressada e preocupada com o que tinha de fazer, o mundo emitia gritos que ninguém parece ouvir.
Já vi que muitos comentaram o sucedido (mais uma vez) no Mediterrâneo mas ontem, quando começava a jantar, ficou-me na memória o rosto daquelas crianças resgatadas. Este mundo que eu acho tão maravilhoso é também muito bruto e tem muitas coisas sem explicação. Onde anda o resto do mundo? África tem sido o contentor do lixo da Europa e dos Estados Unidos. Só lá vamos quando queremos alguma coisa. Deixamos sempre um rasto de destruição e um mau legado. E agora ninguém faz nada. A Comunidade internacional parece alheia a tudo isto. Quantas mais vidas ter-se-ão que perder? Que cicatrizes guardarão estas pessoas, estas crianças, depois de assistirem na primeira pessoa a tais cenários de morte? Saem dos seus países à procura de uma nova vida e o certo é que a vida de quem não a perde pelo caminho, entretanto, nunca mais é a mesma.  Ficaram-me também na memórias as palavras do Papa Francisco, possivelmente na cerimónia de Domingo, no Vaticano. (Não, não sou religiosa, não sigo religião alguma, mas gosto deste Francisco.) Disse: "Faço um apelo intenso para que a comunidade internacional aja com decisão e rapidez para evitar que tragédias parecidas voltem a ocorrer. São homens e mulheres como nós, irmãos nossos que buscam uma vida melhor."
Homens e mulheres como nós. Irmãos.

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