domingo, 12 de abril de 2015

Prefiro a cerveja


Ir jantar, num Sábado à noite, a casa de amigos, é porreiro. Ir jantar, num Sábado à noite, a casa de amigos, com filhos é tramado. Principalmente se esses amigos convidam mais amigos que ainda têm mais filhos. E basta a proporção de crianças por adulto ser de 1 para 2 que o cenário já fica feio. Não tenho saco! A verdade é essa. E desculpem-me as mães babadas mas não entendo como é que, depois de serem mães, parece que não existe mais nenhum tema no mundo para se falar:
- " A minha deixou a papa não-sei-das-quantas aos 6 meses."
- "Ah, o meu fez o primeiro cocó aos 5!"
E nós fazemos aquele sorriso amarelo de "ah pois e tal, não percebo puto do que estão praí a dizer, tá muito boa a conversa, posso ir buscar mais uma cerveja ao frigorífico?" 
O pessoal que tem filhos devia ter mais consideração pela malta que não os tem. Ao menos avisar antes que vão levar a canalhinha toda e vão estar horas a contar o que eles disseram e fizeram e a rir de forma embevecidó-parvinha para os petizes. Se avissassem, podíamos sempre dizer que já tinhamos um mega programa combinado e assim ficávamos sossegadinhos em casa a ver um filme decente. É nestas alturas que eu penso também que não devia era ter deixado de fumar. E aí teria sempre desculpa para me esgueirar com os gajos para a varanda quando todos vão fumar e era poupada da conversinha das saudáveis mães. Sempre gostei mais de estar com os gajos do que com as gajas. A maior parte das gajas só têm conversa de chacha, que posso fazer? Atenção que não sou daquelas que tem inveja de morte do próprio género. Nada disso. Mas é verdade que as gajas, na sua grande maioria, têm tendência a falar dos cabeleireiros que frequentam, dos seus petizes ou das merdas que compraram. Eu prefiro desde sempre estar de cervejinha na mão a mandar a bela da piadola. Ou então a beber o bom du vin rouge e a conversar sobre coisas da vida, filmes, sonhos ou viagens (que também são sonhos).
Pensava que à medida que os nossos amigos fossem tendo filhos, que qualquer coisa se "pegasse". Mais que não seja, pelo contacto mais frequente com o estilo de vida e com os petizes propriamente ditos. No meu caso não me parece. Aliás, quanto mais vejo, menos me apetece.

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